A migração de MPLS para SD-WAN é uma das decisões de infraestrutura mais complexas que uma empresa pode tomar. Feita corretamente, reduz custos em 40–60% e aumenta a agilidade da rede. Feita errada, causa interrupções críticas e meses de retrabalho. Este checklist cobre todas as fases da migração.
Por Que Migrar de MPLS para SD-WAN?
| Critério | MPLS | SD-WAN |
|---|---|---|
| Custo mensal (100 Mbps) | R$ 8.000–15.000 | R$ 1.500–3.500 |
| Tempo de provisionamento | 60–90 dias | 15–30 dias |
| Suporte a multi-cloud | Limitado | Nativo |
| Visibilidade de aplicações | Básica | Granular |
| Failover automático | Manual | Automático (<1s) |
Fase 1 — Inventário e Mapeamento (Semanas 1–2)
- ☐ Mapear todos os sites MPLS: endereço, banda contratada, contrato vigente e data de vencimento
- ☐ Identificar aplicações críticas por site (ERP, VoIP, videoconferência, câmeras)
- ☐ Medir latência e jitter atuais entre todos os pares de sites
- ☐ Verificar disponibilidade de fibra dedicada ou link alternativo em cada site
- ☐ Identificar sites com SLA crítico que não podem ter downtime durante a migração
Fase 2 — Projeto de Arquitetura SD-WAN (Semanas 3–4)
- ☐ Definir topologia: hub-and-spoke, full-mesh ou híbrida
- ☐ Selecionar plataforma SD-WAN (Cisco Viptela, VMware VeloCloud, Fortinet, Meraki)
- ☐ Dimensionar largura de banda por site com base no inventário de aplicações
- ☐ Definir políticas de QoS por aplicação (VoIP > ERP > BI > backup)
- ☐ Planejar integração com firewalls e segmentação de VLANs existente
- ☐ Definir estratégia de acesso à internet: local breakout ou backhauling centralizado
Fase 3 — Piloto em Sites de Baixo Risco (Semanas 5–8)
- ☐ Selecionar 2–3 sites de menor criticidade para o piloto
- ☐ Instalar equipamento SD-WAN em paralelo ao MPLS (sem desligar o MPLS)
- ☐ Migrar tráfego de aplicações não críticas primeiro (e-mail, internet)
- ☐ Monitorar latência, jitter e disponibilidade por 2 semanas
- ☐ Validar failover automático: simular queda do link principal e medir tempo de recuperação
- ☐ Documentar lições aprendidas antes de avançar para sites críticos
Fase 4 — Migração dos Sites Críticos (Semanas 9–16)
- ☐ Migrar sites críticos fora do horário de pico (preferencialmente fins de semana)
- ☐ Manter MPLS ativo por 30 dias após a migração de cada site (rollback garantido)
- ☐ Migrar VoIP por último — é o serviço mais sensível a latência e jitter
- ☐ Testar todas as integrações ERP/EDI após cada migração
- ☐ Validar QoS: confirmar que tráfego crítico está sendo priorizado corretamente
Fase 5 — Descomissionamento do MPLS (Semanas 17–20)
- ☐ Confirmar que todos os sites estão estáveis no SD-WAN por pelo menos 30 dias
- ☐ Verificar cláusulas de multa rescisória nos contratos MPLS
- ☐ Notificar a operadora MPLS com o prazo mínimo exigido em contrato (geralmente 30–90 dias)
- ☐ Desligar circuitos MPLS site a site, não todos de uma vez
- ☐ Manter documentação da arquitetura SD-WAN atualizada
Riscos e Mitigações
| Risco | Probabilidade | Mitigação |
|---|---|---|
| Latência maior que o MPLS | Média | Link dedicado como underlay (não banda larga) |
| Falha no failover automático | Baixa | Testar failover no piloto antes de migrar sites críticos |
| Multa rescisória MPLS | Alta | Mapear datas de vencimento e negociar com a operadora |
| Incompatibilidade com ERP legado | Baixa | Testar integração no piloto antes da migração em massa |
A JCM Telecom oferece consultoria técnica gratuita para planejamento de migração MPLS → SD-WAN. Nossa equipe avalia sua arquitetura atual e entrega um plano de migração personalizado.
Fase 6 — Documentação e Governança Pós-Migração
Após a migração completa, a documentação da nova arquitetura SD-WAN é frequentemente negligenciada — e isso cria problemas meses depois quando um técnico diferente precisa fazer uma alteração. Documente: topologia completa com IPs e VLANs, políticas de QoS por aplicação, configuração de failover e contatos de suporte de cada operadora.
Estabeleça um processo de revisão trimestral da arquitetura SD-WAN para ajustar políticas de QoS conforme novas aplicações são adotadas e para verificar se a banda contratada ainda é adequada para o crescimento da empresa.
SD-WAN com Link Dedicado como Underlay: A Combinação Ideal
Uma confusão comum é tratar SD-WAN e link dedicado como alternativas mutuamente exclusivas. Na prática, SD-WAN é o plano de controle (software que decide como o tráfego é roteado) e o link dedicado é o underlay (a infraestrutura física que carrega o tráfego). A combinação dos dois é a arquitetura mais robusta disponível.
Com link dedicado como underlay, o SD-WAN tem latência previsível e SLA contratual — eliminando o principal risco de usar banda larga como underlay (latência variável e sem garantia de disponibilidade). Empresas que usam SD-WAN sobre banda larga frequentemente enfrentam degradação de performance em horários de pico.
Quando Manter o MPLS em Vez de Migrar
A migração MPLS → SD-WAN não faz sentido em todos os cenários. Mantenha o MPLS se: o contrato tem multa rescisória maior que a economia projetada nos próximos 24 meses; a empresa tem apenas 2–3 sites com baixo volume de dados; os sites estão em regiões sem cobertura de fibra dedicada para SD-WAN; ou se há requisitos regulatórios que exigem isolamento total de rede (ex: alguns ambientes financeiros).
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